Pequenas coisas da Vida
Realmente escrever em um blog é um vício! Gostei da idéia de escrever minhas idéias, desabafar quando estou com raiva, falar coisas que me passam na cabeça. Acho legal a idéia de cristalizar as meus pensamentos de um determinado momento; depois posso olhar com mais calma e ver se estava errado, se foi coisa de momento, posso medir se estou sendo radical demais. Já olhei para os posts antigos e vi coisas que exagerei. Mas não vou mudar, aquilo foi o EU daquele momento.
O pessoal que leu o blog, tem falado que eu sou muito radical. Pior é que eles tem razão. E tomo isso até como um elogio, fico com meu ego inflamado! Isso é perigoso porque posso sempre querer direcionar minhas escritas para o radicalismo, mesmo não tendo nada de radical a falar. Isso é um exercício, tenho que me controlar.
Em um comentário do post anterior, foi escrito um verso do Drummond que achei que tinha bastante a ver com a função dos meus pensamentos. “Minha raiva é o melhor de mim”. Não sei se é assim que foi escrito, estou reproduzindo o que foi postado. Mas mesmo assim achei legal. Me falaram também que não imaginam eu falando sobre as maravilhas do mundo. E eu também não me vejo. Acho que não tenho talento para isso. Não critico quem tem essa facilidade, acho que em uma sociedade é importante ter os que saibam xingar e os que saibam exaltar as coisas boas do mundo.
É obvio que o mundo não é afundado na merda, que existem também coisas boas. Posso até arriscar a dizer que existem mais coisas boas do que coisas ruins. O problema é que as coisas ruins são produzidas pelos que mais tem poder, e as coisas boas acabam sendo colocadas de lado. Isso estou falando baseado na vida de um paulistano que nunca passou fome, sempre teve onde morar, e que até consegue arrumar um trabalho se se esforçar um pouco. Pronto, já estou começando a achar as coisas ruins, é um talento isso. As coisas boas existem talvez no mesmo grau que as ruins, porém não é assim para todo mundo. Tem gente que passa por tanta miséria que as coisas boas, não fazem sentido algum.
Mas, não vou sair do foco de tentar exercitar minha capacidade de falar coisas boas. Esquecemos as mazelas do mundo, afinal como dizem por aí, você não vai acabar com os problemas mundiais, logo, é melhor esquecer que eles existem! Nem precisa fazer o mínimo, o que está ao alcance, afinal se você não tem poder para mudar TUDO, que se foda o que você pode fazer. Se você não pode ser uma celebridade da paz, que se foda ser o cara que ajudou a fazer o que estava ao seu alcance.
Agora prometo parar de criticar!
Eu disse que falaria sobre as pequenas coisas da vida, e vou fazer. Creio que isso seja uma questão linguistica( olha eu de novo com teorias da conspiração), pois quem nomeou que essas coisas são “pequenas”, já estão diminuindo-as e querendo dizer que existem as coisas “grandes”! Isso virou um clichezão que nem sabemos mais de onde vem, mas podemos pensar sobre isso.
Quando falamos sobre as “pequenas” coisas, falamos sobre coisas cotidianas, um sorriso, um pôr do sol, um banho de mar, qualquer coisa simples e palpável. Minha modesta opinião é que essas são as grandes coisas da vida, não vou engolir que elas são menores, que grande é o dinheiro, o poder, a vaidade,etc. Dizem que as coisas são pequenas para agente sempre buscar as “grandes”, para esquecer a importância de coisas simples, e sempre buscar sustentar a máquina, continuar enriquecendo as empresas.
Será isso as grandes coisas? Trabalhar a vida inteira para obter um poder virtual dentro de um grupo que quer mais é que você se foda? Não ver seu filho crescer para dar a vida a uma empresa multinacional? Isso é grande?
Aceitando o nome de pequenas coisas, digo que são elas que seguram o mundo, elas que fazem o mundo não desandar de vez. Todos querem impor que elas são menores, dizem isso pq essas são coisas que o dinheiro não pode comprar(não inteiramente), que o poder nunca conseguirá tirar de ninguém(não totalmente). O problema é que independente de classes sociais, todos nós já aceitamos essas denominações do que é grande e pequeno. Claro que também não podemos cair na besteira de ficar quietos e apáticos aceitando que já temos o essencial e que se foda o resto.
E se isso for o contrário? Deram o nome de “pequenas” para que o povo não fique apático e passe a buscar os seus direitos? E se o inventaram isso propositalmente para que quem esta fudido se contente com qualquer coisa, sempre achando que tudo tá bom? Vai saber….
Quando sou otimista(?!?) demais sempre fico com a impressão de que faltou alguma coisa e que estou fazendo média.
Pensar grande é ser um escravo, talvez essa seja a conclusão!
Isso são questionamentos, não tenho uma opinião formada, talvez, tudo que eu fale seja romântico, e fora de esquadro!
22 22UTC dezembro 22UTC 2009 às 17:22
fora de esquadro – paixões de mercado!
eu nunca comento nada útil… hahahaha
xxxxxx
23 23UTC dezembro 23UTC 2009 às 14:45
Meu amor, saber relativizar suas opiniões é alcançar uma análise distanciada e potencialmente mais racional, é talvez passar incólume pelo impulso radicalista. Se este é o momento de aderir a radicalismos, está no seu direito, mas lembre-se que essa postura pode nos fazer cegos, mesmo de olhos abertos.
19 19UTC janeiro 19UTC 2010 às 14:13
Só a cyndi pra usar “incólume” em um comentário de blog!! Se ela usar essa palavra em um trabalho é capaz de ganhar uma cadeira. Eu nem sei o que é isso velho hahahaha.
Você sempre critica tudooo. Mas é bom conversar com pessoas assim, pois nos fazem enxergar coisas que sozinhos, ás vezes, não conseguimos.